Ciclistas transformam espaço esquecido em horta coletiva na Av. Paulista

Mutirão organizado pelas redes sociais fez uma horta em pleno cruzamento da Av. Paulista com a R. da Consolação: a Horta dos Ciclistas. E dia 11/11 tem mais!

Foto: Agência Estado

Por Jenifer Correa* 

Quando você pensa na Av. Paulista o que vem na sua cabeça? Carros, prédios, ônibus, metrô, aglomeração de pessoas, correria. Mas se você passou pelo cruzamento entre a mais famosa avenida de São Paulo e a R. da Consolação nas últimas semanas, certamente teve uma surpresa.

Um mutirão organizado há cerca de um mês pelas redes sociais fez uma horta em plena Praça dos Ciclistas, plantando abóbora, alface, manjericão e orégano, apenas para citar alguns exemplos. A movimentação aconteceu nos dias 11 e 21 de outubro e se repetirá no dia 11 de novembro, aberta a qualquer um que esteja passando por lá e queira participar.

“A iniciativa surgiu da vontade de várias pessoas de transformar ideias e conceitos em ações práticas. Mostrar que produzir alimentos nas cidades em espaços vazios, degradados é possível e melhora significativamente a qualidade de vida”, explica Ariel Kogan, um dos colaboradores da chamada Horta do Ciclista.

Além dos mutirões, um grupo de participantes se organiza para cuidar da horta. São pessoas que moram por perto ou passam por ali diariamente, para trabalhar por exemplo.

E se engana quem pensa que é preciso saber muito sobre agricultura para fazer parte dessa iniciativa. “Só precisa ter vontade. Nos mutirões, rola muito intercâmbio de conhecimento, experiências e, inclusive, mudas. Tem pessoas que sabem muito sobre plantas e cultivo e pessoas que sabem pouco. Mas todos têm um papel e curtem”, afirma Ariel.

Foto: Agência Estado

Hortelões unidos

A Horta do Ciclista é uma iniciativa espontânea. Entretanto, junto a outras atividades coletivas de agricultura urbana, é organizada pelo grupo Hortelões Urbanos. Ele foi criado no Facebook em 2011 pelas jornalistas Claudia Visoni e Tatiana Achcar e reúne hoje mais de 1.600 pessoas interessadas em trocar dicas sobre o plantio doméstico de alimentos.

“Além de ser uma rede de apoio para quem gosta de cultivar alimentos, os Hortelões Urbanos pretendem inspirar comunidades para o plantio coletivo e voluntário de plantas comestíveis na cidade”, explica Claudia, acrescentando que a maior parte dos participantes mora na cidade de São Paulo e cultiva ervas e hortaliças no quintal ou até mesmo em varandas de apartamento.

O grupo também contribui com a organização da Horta das Corujas na Vila Beatriz e dos picnics de trocas de sementes e mudas, que acontecem a cada três meses no Parque da Luz.

“O processo de encher as cidades de concreto tem uma inércia grande. São muitas cadeias produtivas envolvidas e um paradigma de desenvolvimento instaurado. Vejo [a agricultura urbana] como uma atividade divertida e que ajuda a me reconectar comigo mesmo e com a natureza. Numa cidade como São Paulo essa conexão é difícil de achar, mas é muito necessária”, avalia Ariel.

Publicado no AsBoasNovas em 05/11/2012.

  • edna

    Alem da Horta do Ciclista, deveriam fazer um Memorial aos ciclistas que morrem atropelados na ciclovia.