Paulistano troca segundo carro por bicicleta elétrica

Por William Cardoso*

É cada dia mais comum topar com uma bicicleta elétrica nas ruas de São Paulo – elas começaram a virar uma opção ao segundo carro das famílias. Economia de tempo e dinheiro estão entre os motivos de quem decidiu fazer o trajeto entre a casa e o trabalho com menos esforço do que em uma bike comum. E sem queimar combustível. O único receio ainda é o trânsito violento da capital.

Um pequeno motor elétrico e um pouco de disposição fizeram o compositor Fabio Góes, de 36 anos, deixar o carro com a mulher no início do ano e encarar em uma bicicleta as ladeiras da Vila Madalena, na zona oeste, para chegar ao trabalho, no mesmo bairro. “Com uma bike comum, teria de tomar banho e trocar de roupa. Criaria um incômodo que poderia me fazer desistir em pouco tempo”, diz. “Por isso, optei pela bike elétrica.”

Góes notou também que o tempo de casa ao trabalho diminuiu. “De carro, demorava 20 minutos, por causa das voltas e do trânsito. Com a bike, faço outro caminho e gasto cinco minutos.” O automóvel ficou para os passeios de fim de semana com a mulher e os filhos.

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Mas o trânsito assusta os parentes de quem pedala entre carros, ônibus e motos. A bicicleta deixa o condutor mais exposto do que um veículo fechado. “Os mais velhos mostram um medo maior de que aconteça algo comigo. Perguntam se uso capacete, se tomo cuidado”, reconhece o compositor.

Como Góes, o dentista Filipe Valente, de 42 anos, também deixou o carro com a mulher e comprou uma bike elétrica há um mês. “Ela até já está pensando em comprar uma”, conta.

Valente leva 20 minutos de Perdizes, na zona oeste, até o Itaim-Bibi, na sul, onde trabalha. “Às vezes, ficava até 40 minutos só para atravessar a (Rua Doutor) Renato Paes de Barro. Faço esse trecho agora em cinco minutos”, conta, satisfeito.

Ele destaca como pontos positivos a economia com estacionamento e impostos: pode-se deixar o equipamento – isento de Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) – preso a postes, por exemplo.

O dentista diz que não faz exercícios há seis anos. Assim, o motor serviu para compensar a sua falta de preparo físico. Na maioria dos casos, as bicicletas elétricas têm “pedal assistido”. Ou seja, o usuário precisa apenas pedalar para acionar o mecanismo que dá impulso para atingir a velocidade desejada ou ajuda a subir uma ladeira, por exemplo.

Veloz. A autonomia fica em torno de 30 km a 40 km por carga (na tomada mesmo) de 4h a 8h. E a velocidade, próxima dos 30 km/h, varia de acordo com o terreno e o peso do condutor. Potência, autonomia e durabilidade influenciam no preço das bikes elétricas, que vai de R$ 2 mil a R$ 12 mil. Mas, atenção: elas pesam, em média, o dobro de uma bicicleta comum, que tem em torno de 12 kg.

O tipo de bateria é um dos fatores que podem elevar o custo. As de lítio, que vêm sendo cada vez mais usadas, são as mais caras. Pesam, porém, até cinco vezes menos do que as de chumbo. A vida útil desse componente gira em torno de dois a três anos, algo que deve ser considerado no custo final: a bateria nova, de lítio, sai entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil.

Recarregar diariamente implica ao ciclista um acréscimo de R$ 30 a R$ 40 na conta de energia no fim do mês.

De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), estima-se entre 15 mil e 20 mil bikes desse tipo no Brasil.

Segundo o presidente da ABVE, Pietro Erber, o que encarece a bike elétrica é o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de cerca de 35% (nas bicicletas comuns, é de 12%). “Potencialmente, poderíamos chegar a ter 50 mil bicicletas de imediato. Na China, há dois anos, vendiam mais de 11 milhões por ano.”

*Publicado em O Estado de S.Paulo, em 19/09/2012.