Segurança viária como prioridade para as cidades

Muitas vezes a causa do acidente é atribuída à má conduta do pedestre ou à falta de educação do motorista. Para Claudia Adriazola, diretora do Programa de Saúde e Segurança Viária da EMBARQ, porém, estas atitudes de risco são reflexos da falta de estrutura planejada para as pessoas. A especialista faz parte da equipe de segurança viária da EMBARQ que realizou, durante esta semana (03 a 07/09), uma inspeção no BRT Transoeste, do Rio, para identificar problemas.

Claudia Adriazola (dir.) conversa com outros especialistas durante inspeção no Rio. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

“A educação é muito importante, consiste em saber algo ou não. E as pessoas sabem o que devem fazer no trânsito. Por exemplo, elas sabem que não devem passar no sinal vermelho, mas o fazem porque nem sempre medem o perigo. Por isso deve haver barreiras físicas para impedi-las de tomar atitudes de risco”, explica Claudia, fazendo referência à possibilidade de colocação de lombadas e redutores de velocidade.

Ao longo do corredor BRT, existem interseções e travessias que não estão sinalizadas para os pedestres, além de longas distâncias entre um semáforo e outro. Com isso, as pessoas se arriscam para atravessar no meio das quadras, já que não estão dispostas a caminhar mais. “As pessoas se guiam pela lei do menor esforço, por isso esse trabalho [de inspeção] é importante: para facilitar a mobilidade para as pessoas, com segurança”, define Claudia.

Pedestres atravessam no meio do corredor Transoeste. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

Após a inspeção – que envolveu cerca de 20 especialistas vindos de México, Peru, Brasil, Turquia, Dinamarca e Estados Unidos – um relatório está sendo elaborado para ser entregue à Secretaria Municipal de Transportes do Rio. O documento reunirá problemas e soluções para os casos mais urgentes de segurança viária no BRT Transoeste registrados pelos especialistas durante toda a semana.

Responsabilidade pública

O relatório final com as reivindicações será mais um aliado para salvar vidas no BRT carioca, porém, vale lembrar que cabe aos agentes públicos tomar as decisões efetivas para tornar o Transoeste ainda mais seguro.

“A construção de um sistema de transportes como este envolve muitos níveis de secretarias, mas quando se fala em segurança viária, dizem que é um problema de educação das pessoas. Os tomadores de decisão esquecem que medidas públicas podem ser tomadas para ajudar a garantir a segurança dos pedestres nas vias. É necessário que pensem nas pessoas”, finaliza Claudia Adriazola.

  • Acper

    O relatório, que sem duvidas trará muitas recomendações, deverá ser entregue não a Secretaria de Transportes, mas sim aos responsáveis pelo projeto da “obra Transoeste” para que esses incorporem a obra civil os aspectos de projetos que caracterizam uma obra de implantação de infra estrutura de transportes. Essa experiência deve ser aproveitada para aplicação nos aspectos de projeto do  Transcarioca cuja operação comparada com a do Transoeste terá complexidade muito maior.