São Paulo: do papel para a realidade

Frota de veículos particulares continua crescendo em SP. (Foto: Milton Jung)

Por Marcelo Cardinale Branco*

A cidade de São Paulo é pioneira no país no planejamento e na execução de medidas de combate à poluição. Quase 90% das emissões de poluentes à atmosfera no município vêm de carros particulares, motocicletas, ônibus e caminhões. Em razão desse índice, a Prefeitura reforçou ações para esse setor. Em 2009, criou a Lei de Mudanças Climáticas (14.933/09), que prevê a redução de 30% nas emissões dos gases do efeito estufa e da substituição integral do uso de combustíveis fósseis por renováveis na frota de transporte público. A mesma lei embasou o Plano de Controle de Poluição Veicular (PCPV), que, entre outras ações, objetiva restrições de trajeto, priorização do transporte coletivo, utilização de novas tecnologias e Inspeção Veicular.

Como medida de impacto no ataque aos poluentes originados dos transportes, foi lançado em fevereiro de 2011 o programa Ecofrota, que possui 1.600 ônibus (de uma frota total de 15 mil), que utilizam tecnologias mais limpas de combustíveis. Desses, 60 são movidos a etanol (a maior frota do gênero no mundo), 1.200 com diesel B20 (que tem 20% de biodiesel na sua composição) e 160 com o inédito diesel de cana-de-açúcar misturado ao diesel, além de protótipos de ônibus híbridos em testes. Além de 190 trólebus, veículos elétricos com emissão zero de poluentes – desses 92 já foram renovados. Essas medidas já geraram resultados: redução de 6,7% na emissão de CO2 e de 6,3% dos poluentes em geral na cidade, além da previsão de reduções de 9,2% e 9,5%, respectivamente, até o final de 2012.

Inspeção veicular em São Paulo. (Foto: Guilherme Campos)

Em 2011, a Inspeção Veicular ambiental reduziu em 49% a emissão de monóxido de carbono, o que equivale a retirar 1,4 milhão de veículos da cidade.  Naquele mesmo ano, resultou em 584 vidas salvas e 1.515 internações a menos. A Prefeitura lançou projeto-piloto com dois táxis elétricos em junho passado, e mais 116 táxis híbridos (movidos a eletricidade e combustão) deverão entrar em circulação neste ano.

Há décadas sem apoio municipal, o Metrô começou a receber ajuda financeira da Prefeitura, com o aporte de R$ 1 bilhão. O sistema sobre pneus receberá até o fim deste ano mais de 100 km de faixas exclusivas de ônibus. Está aberto processo de licitação para 68,5 km de corredores de ônibus, que inclui o Corredor Radial Leste, que terá terminais com pré-embarque e pontos de ultrapassagem. Essas medidas devem melhorar o já positivo resultado de 2011, quando foi registrado um aumento de 7,5% na velocidade média dos ônibus. A meta da Prefeitura é ampliar o uso do transporte coletivo dos atuais 55% para 70% da população.

A Prefeitura trabalha ainda com um Plano Cicloviário que prevê, além da expansão da malha viária para bicicletas, que conta hoje com 182 km, a adoção de medidas educativas no compartilhamento das vias e o reforço da fiscalização do respeito ao ciclista. Inaugurado em maio, o Bike Sampa conta com 19 estações de compartilhamento de bicicletas e está em expansão. Hoje, mais de 100 mil pessoas frequentam as ciclofaixas de lazer, com 67 km de extensão.

São Paulo segue na dianteira da discussão do combate à poluição. E trazendo para o debate a cidade que se deseja para as próximas décadas, com deslocamentos menores no trajeto casa-trabalho e o incentivo às viagens feitas a pé.

*Secretário Municipal de Transportes e presidente da CET