América Latina é a região mais urbanizada do mundo, diz ONU

São Paulo e seus arranha-céus. (Foto: Rodrigo Soldon)

Por Época e Agência Brasil*

Apesar de ser a menos povoada em relação ao tamanho de seu território, a região da América Latina e do Caribe é a mais urbanizada do mundo. Quase 80% de suas populações vivem hoje nas cidades, de acordo com o relatório Estado das Cidades da América Latina e do Caribe, divulgado nesta terça-feira (21) pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat).

No Brasil, 86,53% da população vive em cidades atualmente. A projeção da ONU é de que, em 2020, esta porcentagem urbana aumente para 89,50%. Apesar desse panorama, após décadas de êxodo rural, o estudo mostra que o país (e a região) está vivendo uma desaceleração urbana. Desde 2000, o crescimento médio anual da América Latina tem sido inferior a 2%, o que o relatório considerou como “normal”.

O crescimento da população também vai continuar desacelerando. O estudo aponta que, até 2030, o número de habitantes na maioria dos países latino-americanos e caribenhos crescerá menos de 1% ao ano. A atual estabilidade demográfica é muito vantajosa para várias dessas nações, onde a população ativa supera em muito a de crianças e velhos.

A situação privilegiada, porém, não deve durar mais do que 30 anos. As nações devem aproveitar a fase para se preparar para um futuro sustentável e com boa estrutura para os idosos, já que eles serão maioria em algumas décadas.

Favelas

A proporção de pessoas vivendo em favelas diminuiu nas últimas duas décadas. O estudo mostra, porém, que cerca de 111 milhões de pessoas ainda vivem nesses espaços, com poucos locais de lazer, pouco transporte público, serviços básicos precários e poucos equipamentos sociais e estruturas produtivas.

A média da América Latina para pessoas que moram em favelas é de 26%. O Brasil está acima da média, com 28% da população vivendo em comunidades com infraestrutura precária, o que torna o país o 14º com mais pessoas vivendo em favelas da região.

Centros urbanos

Nos últimos 50 anos, o número de centros urbanos cresceu mais do que cinco vezes na América Latina e no Caribe. Hoje, a metade da população urbana na região (cerca de 222 milhões de pessoas) vive em cidades com menos de 500 mil habitantes. Aproximadamente 14% dos habitantes da região estão nas megacidades.

Se em 1950 havia 320 cidades com pelo menos 20 mil habitantes, meio século depois o número passou para 2 mil. As metrópoles (com mais de 5 milhões de habitantes), que não existiam na América Latina e no Caribe em 1950, hoje somam oito na região: Cidade do México, São Paulo, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Lima, Bogotá, Santiago e Belo Horizonte.

As cidades com maior densidade populacional são as que estão crescendo menos em termos populacionais desde a década de 1980 e, ao mesmo tempo, perdendo vantagens competitivas. Já as cidades com menos de 1 milhão de habitantes são as que mais têm crescido, mas também indicam movimento de queda.

Problemas

O estudo mostra ainda que a especulação imobiliária é um problema comum na maior parte dos países estudados e contribui para a expansão das periferias, do número de rodovias e centros comercias, além de condomínios fechados. Esse tipo de crescimento também estimula o uso de transportes individuais em detrimento da criação de um tecido urbano interconectado.

As consequências são congestionamento, poluição e periferias que crescem desordenadamente, sem infraestrutura e sem meios de transporte adequados.

O número de veículos individuais, por exemplo, duplicou nos últimos dez anos, sem planejamento a longo prazo para lidar com os desafios da mobilidade urbana. O relatório elogia as iniciativas de alguns governos de resgatar as zonas centrais, criar ciclovias, mas lamenta que essas não sejam uma tendência.

*Publicado em Época, em 21/08/2012.