Próximos passos para promover bicicletas nas favelas do Rio

 

Durante os últimos dias (09 a 11/07), a equipe formada por técnicos das secretarias municipais de Habitação (SMH) e de Meio Ambiente (SMAC)IAB-RJAlta Planning e EMBARQ Brasil (produtora deste blog) realizou um trabalho de análise dos desafios para o uso das bicicletas nas favelas do Rio de Janeiro. O grupo visitou o Bairro Proletário do Dique, na Zona Norte, e o Morro dos Cabritos, em Copacabana, para iniciar o desenvolvimento de um manual de inserção de bicicletas nas favelas cariocas, como parte do programa Morar Carioca. Nesta quarta-feira (11), foi realizada a última reunião desta etapa, na sede do IAB-RJ, para definir os próximos passos da produção do guia.

Jeff Olson, arquiteto-chefe da Alta Planning – escritório encarregado de desenvolver o material – apresentou os principais desafios encontrados nas favelas Dique e Morro dos Cabritos. O arquiteto lembrou que as duas localidades apresentam diferentes topografias e relações sociais que precisam ser levadas em conta na hora da produção do manual. Além disso, Olson mostrou algumas das principais diretrizes discutidas pelo grupo durante os dias de mapeamento:

  • Respeitar identidade diferente de cada comunidade;
  • Integrar ciclovias com outros modais de transporte, como os novos corredores BRT;
  • Desenvolver estratégias de implementação;
  • Criar programas educacionais para incentivar o uso da bicicleta.
Olson na favela Dique. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

 

Pensando nas futuras ações, Jason Reyes, gerente de Projetos da Alta Planning, apresentou os próximos passos para a organização e a produção do manual e se mostrou otimista com os resultados nestes dias no Rio de Janeiro. “Analisando as anotações destes últimos dias, fiquei feliz e impressionado com a quantidade de grandes ideias que surgiram por meio das conversas do grupo. Isso é ótimo”, diz Reyes. A visita ao Rio também foi inspiradora e fundamental para Jeff Olson, que sentiu o quanto as bicicletas podem mudar as vidas das pessoas nas favelas. “Nestes dias andando pelas comunidades vimos que muitos podem não falar inglês, mas todos falam ‘bicicleta’. É isso que importa e vamos trabalhar pensando nisso”, resume o arquiteto que também é ciclista inveterado.

Grupo reúne últimas percepções. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

 

Para Fabiana Izaga, vice-presidente do IAB-RJ, o material pode ser a porta de entrada para um programa ainda mais completo para promover o uso do transporte não-motorizado na capital fluminense. “Futuramente pode-se estender o projeto para outros locais, não apenas favelas. Pode-se pensar na implantação de ciclovias em bairros novos, naqueles que já existem, etc”, sugere.

Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil

 

Novas visões

Ainda no final do último dia de reuniões no Rio de Janeiro, os arquitetos da Alta Planning e a equipe da EMBARQ Brasil se reuniram com Theresa Williamson, da ComCat-Comunidades Catalisadoras, que trabalha diretamente com projetos de estímulo à produção local nas favelas cariocas. A diretora-executiva e fundadora da organização sem fins lucrativos falou sobre a necessidade de se expandir a infraestrutura para as bicicletas nas comunidades com a ajuda dos moradores que já estão habituados à magrela. “Engajamento é fundamental. As pessoas precisam se sentir parte da mudança”, explica.

Equipe da Alta Planning e da EMBARQ Brasil com Theresa Williamson. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

Theresa também lembrou que além de catalisar oportunidades de desenvolvimento urbano dentro das favelas é necessário realizar acompanhamento e fiscalização para garantir que as mudanças tenham continuidade e evolução. A norte-americana, filha de mãe brasileira, explica que as favelas são locais únicos, onde cada uma tem suas características e há muito potencial transformador dentro das comunidades. “Em 2000, quando conheci uma favela fiquei chocada com a violência e os outros problemas que já conhecemos, mas também fui inspirada pelos pequenos projetos que já existiam de pessoas tentando fazer a diferença”, conta.

Theresa Williamson, da ComCat.