Por dentro do Morro dos Cabritos: como inserir a bicicleta em zonas íngremes

Comunidade do Morro dos Cabritos. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

É necessário conhecer a fundo as dificuldades que existem para o uso da bicicleta nas favelas para desenvolver as melhores soluções. Esta é a missão dos técnicos da Secretaria de Habitação (SMH)IAB-RJAlta Planning e EMBARQ Brasil (produtora deste blog), que estão trabalhando em conjunto para criar um manual de inserção de bicicletas nas favelas do Rio, como parte do programa Morar Carioca. Esta manhã (10), novos desafios foram encontrados durante a visita ao Morro dos Cabritos, em Copacabana, para definir os rumos da publicação.

A região apresenta zonas bastante íngremes e acidentadas o que dificulta a prática do ciclismo, diferente do Bairro Proletário do Dique, explorado ontem (09), na Zona Norte da cidade. Além disso, os espaços para se deixar a bicicleta são limitados e raros. Mesmo assim, percebe-se que a comunidade também está habituada ao transporte não motorizado. “As bicicletas já são populares aqui. Só queremos ajudar a tornar seu uso mais fácil para as pessoas”, diz Jeff Olson, arquiteto-chefe da Alta Planning.

Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil

Diferente do Dique, as ruas do Morro dos Cabritos, apesar de contarem com maior pavimentação e limpeza, são bem mais estreitas e de difícil acesso. “Perto das outras comunidades esta tem benefícios por não ser tão densa. O problema maior é a acessibilidade, pois só existem degraus. Às vezes as pessoas precisam subir e descer 250 degraus todos os dias. Isso dificulta para deficientes, idosos, mulheres grávidas, sem falar nas situações de compras, mudanças, etc”, explica Fabíola Nascimento, que trabalha com serviço social na comunidade há mais de um ano.

Apesar dos desafios, Jeff Olson acredita que há um futuro interessante para as comunidades cariocas. “O mundo precisa saber que o Rio de Janeiro e as favelas são locais para serem visitados, sem medo. A arquitetura local é muito orgânica e convidativa até mesmo para o turismo. Grandes prédios de concreto, como este, destoam da paisagem”, diz ao apontar para um grande edifício comercial próximo.

Vista da comunidade. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

No final da visita, o grupo seguiu pela conhecida Estradinha, ao lado do Morro dos Cabritos, onde há uma bela trilha verde, que foi totalmente recuperada e reflorestada pelos moradores locais. Os residentes da região passam por momento de incerteza, pois a Prefeitura alega que o local oferece risco por estar na encosta. Mesmo com direito à indenização, muitos moradores não querem deixar suas casas e estão se opondo à decisão do governo.

Equipe durante trilha na ‘Estradinha’. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

Percepções no papel

Assim como ontem, após a saída a campo, houve reunião na parte da tarde, na sede da IAB-RJ, entre o grupo técnico formado por Bruno Queiroz e Reane Vianna, arquitetos da SMH; Maria Lucia Maranhão, arquiteta da SMAC; Nuno Patrício, arquiteto do Atelier Metropolitano; Fabiana Izaga, vice-presidente do IAB-RJ; além da equipe técnica da EMBARQ Brasil composta por Daniela Facchini, diretora de Projetos e Operações; Brenda Medeiros, coordenadora de Projetos de Transporte e especialista em segurança viária; e Paula Santos, engenheira de Transportes, com foco em acessibilidade.

Grupo debate ideias para o manual no IAB-RJ. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

Conduzida por Jeff Olson e Jason Reyes, da Alta Planning, a equipe assinalou as principais percepções sobre a visita ao Morro dos Cabritos e apontou caminhos para o conteúdo do manual de inserção de bicicletas nas favelas do Rio. A palavra de ordem para a produção do guia, e lembrada diversas vezes durante as discussões, é ‘integração’. “É necessário criar espaços e ciclovias que conectem a cidade formal à informal para que a segregação não se acentue ainda mais”, lembra Nuno Patrício, arquiteto do Atelier Metropolitano, um dos escritórios responsáveis pela execução do programa Morar Carioca.

Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil