Desafios para inserção de bicicletas nas favelas do Rio

Uso da bicicleta pode salvar vidas.

Na manhã desta sexta-feira (06), a equipe da EMBARQ Brasil (produtora deste blog) se reuniu com representantes das secretarias municipais de Habitação (SMH) e de Meio Ambiente (SMAC) do Rio para dar início ao projeto de desenvolvimento de um manual de inserção da bicicleta nas favelas. O guia será produzido com o auxílio da Alta Planning + Design, empresa reconhecida internacionalmente por suas soluções de design para infraestrutura de bicicletas, e faz parte do programaMorar Carioca, cuja meta é reurbanizar todas as favelas da cidade até 2020.

Entre os participantes da reunião estavam: Bruno Queiroz e Reane Vianna, arquitetos da SMH; Carlos Mattos, engenheiro da SMH; Maria Lucia Maranhão, arquiteta da SMAC; Jorge Mario Jauregui e Nuno Patrício, arquitetos do Atelier Metropolitano; Fabiana Izaga, vice-presidente do IAB-RJ; Marat Troina, urbanista; além da equipe técnica da EMBARQ Brasil formada por Daniela Facchini, diretora de Projetos e Operações; Brenda Medeiros, coordenadora de Projetos de Transporte e especialista em segurança viária; e Paula Santos, engenheira de Transportes, com foco em acessibilidade.

Grupo discute estratégias para as saídas de campo. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

O trabalho em conjunto visa promover o uso da bicicleta, transformando as favelas em locais mais seguros e saudáveis. “Oferecer para a população uma infraestrutura de qualidade que permita o uso da bicicleta como um modo qualificado de deslocamento é uma opção por salvar vidas”, explica Daniela Facchini, que conduziu a reunião ao lado de Bruno Queiroz.

Nesta fase do projeto, representantes das secretarias, arquitetos responsáveis pelo Morar Carioca e especialistas da EMBARQ Brasil e Alta Planning irão mapear os desafios de mobilidade enfrentados pelos moradores nas regiões acidentadas. Para isso, nas próximas segunda (09) e terça-feira (10), serão feitas visitas técnicas a duas comunidades com diferentes características topográficas: Bairro Proletário do Dique (Jardim América), de terreno plano; e Morro dos Cabritos (Copacabana), terreno íngreme.

“Será um grande desafio, pois são terrenos inóspitos para as bicicletas. Existem becos por onde passa uma pessoa por vez e outros passam até carros”, lembra Queiroz. Após a fase de mapeamento, as informações vão gerar dados para dar base ao manual, que deve servir de guia para inserir a bicicleta também em outras localidades com características semelhantes.

Queiroz, da SMH. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

Potencial econômico e educação

Além de não poluir e ser um transporte mais seguro para a população, a bicicleta ainda pode ajudar a fomentar a economia local. “Já identificamos a geração de trabalho e renda a partir da bicicleta. Quanto mais as pessoas usam este meio, mais serviços são necessários – como borracharia e fornecedor de peças, por exemplo”, lembra Nuno Aparício, representante do Atelier Metropolitano – um dos escritórios de arquitetura responsável pelo Morar Carioca.

Já Carlos Mattos, da SMH, lembrou a importância de se investir também na educação das pessoas em relação ao uso da bicicleta e seus limites. “É necessário chamar atenção para a educação e o respeito. Há muitos casos de acidentes causados por bicicletas, especialmente em Copacabana, onde há grande número de população idosa”, atenta.

Morar Carioca e EMBARQ Brasil

O manual de inserção das bicicletas nas favelas é mais uma etapa da parceria entre o programa de reurbanização carioca e a EMBARQ Brasil. Com expertise em soluções sustentáveis para problemas de transporte e de mobilidade urbana, a EMBARQ Brasil tornou-se parceira da SMH e do IAB-RJ na realização da primeira capacitação técnica sobre transporte sustentável no âmbito do programa Morar Carioca entre outros encontros estratégicos.

Além disso, no ano passado, realizou missão técnica a Bogotá e Medellín, na Colômbia, trazendo novos conhecimentos em mobilidade urbana sustentável para serem agregados ao plano do Rio.