Rio+20: Bancos de Desenvolvimento anunciam investimento de US$ 175 bilhões para o transporte sustentável

BRT Transoeste é exemplo de sistema de transporte sustentável. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

RIO DE JANEIRO (20 de junho, 2012) — Os maiores bancos multilaterais de desenvolvimento – liderados pelo Banco de Desenvolvimento da Ásia – comprometeram-se a prover mais de US$ 175 bilhões durante os próximos 10 anos para apoiar o transporte sustentável nos países em desenvolvimento.

O anúncio foi feito na Conferência de Desenvolvimento Sustentável, no Rio de Janeiro (durante a Rio+20), pelo Banco de Desenvolvimento, Banco de Desenvolvimento Asiático, Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, Banco Europeu de Investimento, Banco de Desenvolvimento Interamericano, Banco de Desenvolvimento Islâmico e o Banco Mundial.

A seguir a declaração de Holger Dalkmann, diretor mundial da EMBARQ (produtora do TheCityFix), o centro de transporte sustentável do Instituto de Recursos Mundiais (WRI):

“Este é um marco para o transporte sustentável. A medida vai assegurar que centenas de milhões de pessoas respirem um ar mais limpo, tenham ruas menos congestionadas e um transporte mais seguro.

Dez anos atrás, o transporte sequer estava incluído no debate. Agora, é um dos principais temas da conferência mais importante do mundo em termos de desenvolvimento sustentável (Rio+20).

Os bancos estão colocando seu dinheiro onde pode fazer a diferença – em ruas construídas para pessoas, não para carros. A população mundial deve ultrapassar 9 bilhões de pessoas em 2050, com mais da metade localizada na Ásia, a maioria em zonas urbanas. Ao mesmo tempo, a previsão é de que o número de veículos particulares cresça vertiginosamente, saltando de 800 milhões de carros na década passada a aproximadamente dois bilhões em 2030. Estas duas mega-tendências estão se unindo para criar um ambiente onde as pessoas devem competir por recursos financeiros, institucionais e físicos.

Em resposta, necessitamos de melhores projetos urbanos; mais modos sustentáveis de transporte, como caminhar, pedalar ou usar o transporte coletivo; e melhorar os veículos existentes e a tecnologia de combustível.

Este investimento não irá apenas melhorar a forma como as pessoas se movimentam do ponto “A” ao ponto “B”; trata-se, também, de oferecer acesso e mobilidade para as populações pobres e aumentar a segurança viária, sem mencionar a redução das emissões dos gases de efeito estufa. Transporte não é um pedaço pequeno da torta das mudanças climáticas: o setor representa aproximadamente um quarto das emissões globais de CO2.

O anúncio de hoje, sem dúvida, vai encorajar outros tomadores de decisão, especialmente governos nacionais, a considerar o financiamento de projetos de transporte baseados em benefícios sociais e ambientais. Isso vai empurrar a sustentabilidade para o centro do desenvolvimento urbano.

Ao mesmo tempo, precisamos assegurar que o dinheiro seja investido nos tipos certos de projetos e que haja mecanismos eficientes para medir o impacto. Isso demandará uma completa transparência nos processos, além de um monitoramento independente.

Países frequentemente investem em transporte e infraestrutura, mas muito desse investimento também é destinado às auto-estradas. Precisamos ser mais inteligentes sobre onde o dinheiro flui, perceber se o caso é criar espaços públicos vibrantes ou construir um sistema coletivo de alta tecnologia e baixo custo. Fazer isso pode ser uma mudança de paradigma na maneira que nós financiamos o crescimento de cidades sustentáveis, similar ao que o Banco de Desenvolvimento Asiático fez com a Iniciativa Transporte Sustentável, um programa de assistência técnica e crédito para projetos de transporte na Ásia e no Pacífico, que enfatiza o crescimento econômico ambientalmente sustentável.

A EMBARQ, o centro de transporte sustentável do Instituto de Recursos Mundiais, é membro fundador da Parceria de Transporte Sustentável de Baixo Carbono (SloCaT), que ajudou a catalisar esse novo compromisso financeiro por parte dos bancos.

Em alguns anos, poderemos olhar para trás e ver a Rio+20 como o momento em que o transporte foi empurrado para o topo da agenda da sustentabilidade”.