Experiência BRT, dia 8: teleféricos encurtam distâncias em regiões de difícil acesso

Por Cíntia Freitas

Quer saber por que Medellín é um exemplo para o Brasil quando o tema é transporte em regiões de assentamentos informais? Aqui no blog, já falamos sobre as “escaleras mecánicas”, ou escadas rolantes, que facilitam a mobilidade pelo bairro Las Independecias, uma região bastante parecida com as favelas cariocas. Outro sistema fantástico são os cabos aéreos, ou teleféricos, que em Medellín conectam as zonas de favelas com o metrô. Eles foram chamados lá de Metrocables. Nosso grupo da Missão de Imprensa foi conferir como eles funcionam.

Teleféricos de Medellín (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

A área coberta pela linha J passa por 12 bairros da cidade (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

Integração com o metrô

O teleférico de Medellín é totalmente integrado ao sistema de metrô. A passagem é a mesma, e os cabos levam as pessoas das regiões montanhosas até o metrô, como uma linha alimentadora. Portanto, são operados pela própria operadora do metrô, a empresa Metro de Medellín.

Estação integrada: metrô no andar de baixo e teleféricos no andar de cima. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

Área de embarque nas cabines do teleférico (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

Como funciona:

  • A área de embarque dos teleféricos e do metrô é a mesma, portanto é necessário passar por apenas uma catraca para utilizar os dois sistemas
  • Em cada cabine, podem ir 10 pessoas: oito sentadas e mais duas em pé
  • Os cabos aéreos (teleféricos) funcionam de seguda a sexta, das 4:30 às 23:30 e nos domingos e feriados das 9:00 às 22:30
  • O custo da passagem (mesma do metrô) é de 1700 pesos colombianos. Estudantes pagam 1300 e idosos pagam 1500.
  • A linha J, que visitamos, possui quatro estações e tem uma extensão de 2460 metros. Nessa linha, 12 bairros da cidade são cobertos e 17 mil passageiros são atendidos  por dia.
  • O sistema pode operar em diversas velocidades, e a máxima velocidade de operação, acionada em horário de pico, é de 5 metros por segundo. Nessa velocidade, o trajeto completo da estação inicial da linha J à estação final dura 12 minutos.
  • Além da linha J, existem outras duas linhas, K e L, que localizam-se em outras regiões da cidade e se conectam a outras estações do metrô.

Catracas de entrada no metrô ou teleférico (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

Equipe da Missão de Imprensa embarca nas cabines do teleférico (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

Vista de dentro da cabine (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

Impacto e exemplo

Os teleféricos de Medellín têm se mostrado uma bela forma de transporte público adaptada aos bairros montanhosos e de assentamentos informais. Eles têm capacidade de carregar 3 mil pessoas por hora por sentido.

Implantado em 2008, o sistema tem tido tanto sucesso que já é imitado em outras cidades, entre elas o Rio de Janeiro, com o teleférico no Complexo do Alemão, o qual foi inspirado em Medellín.

Cabines saindo da estação (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

Equipe da Missão de Imprensa, com cabos aéreos ao fundo (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)