Experiência BRT, dia 4: Orange Line e a luta de LA para superar a dependência do carro

Filas de carros se formam diariamente em Los Angeles. (Foto: Jeff Turner)

Será que Los Angeles, conhecida como “a cidade dos carros”, superaria a dependência do automóvel através de meios alternativos e coletivos de transporte? Para tornar essa resposta um “sim”, em 1998, um comitê formado por técnicos e representantes do LA Metro esteve em Curitiba para entender mais sobre o BRT-Bus Rapid Transit e levar o know-how para os EUA. Poucos anos depois, em 2005, Los Angeles recebia seu primeiro sistema, a Orange Line, que hoje é responsável pelo deslocamento diário de 22 mil pessoas. Quem nos contou foi o diretor-adjunto do LA Metro, Hitesh Patel, durante a visita da delegação da Experiência BRT ao sistema nesta manhã.

O corredor exclusivo para os ônibus foi construído no trajeto por onde passava uma linha de trem abandonada. Desde a implementação e extensão do BRT, ruas que estavam esquecidas foram revitalizadas e bairros foram integrados à medida que a linha foi avançando e ciclovias foram sendo construídas. O uso da bicicleta começou a ser priorizado e facilitado não só com as faixas exclusivas, mas também com bicicletários, bike lockers e sinalizações pela cidade.

Faixa segregada do Orange Line garante eficiência, Los Angeles. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

Ainda que a presença do carro seja muito forte no Condado de LA, as pessoas gostam da Orange Line e apostam nela, tendo aprovado recentemente o Long Range Transportation Plan (LRTP), plano estratégico de transportes para os próximos 30 anos. E em junho, o sistema ganhará mais 6,4 km no lado oeste.

 “Eu uso a Orange Line pelo menos três vezes por semana. É bem mais rápido que os outros ônibus, por isso eu prefiro. Gosto muito do sistema e agora com a extensão vai ser ainda melhor, porque ligará mais pontos da cidade”, diz Silly, estudante de 19 anos.

A tarifa da Orange Line é popular $ 1,50 para andar em um sentido e 5 dólares a passagem livre durante 24h, com integração com o metrô.

Características das estações

  • A principal característica é ser aberta, ou seja, as pessoas passam o cartão em sensores instalados nas estações e fiscais controlam a passagem dentro dos ônibus de forma aleatória
  • Estacionamentos públicos nas estações
  • Máquinas para compra e recarga
  • Validação da passagem
  • Mapas e painéis informativos com horário preciso do próximo ônibus
  • Bike lockers
  • Telefones públicos
  • Câmeras de segurança
  • Bancos

Validação da passagem é feita nas estações abertas. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

Depois de conhecer as estações, o grupo seguiu para o metrô, em North Hollywood, e percorreu os 26 km até o centro, parando na estação Hollywood Vine, uma das mais interessantes com intervenções artísticas nas paredes montadas com calotas de automóveis. Mais tarde, os jornalistas estiveram com diretores na sede do LA Metro e conheceram parte da Comunicação e Marketing do sistema, ponto forte do sistema – como já comentamos aqui.

No final da visita, ainda descobrimos que, em breve, Los Angeles vai iniciar testes para aplicar taxação de congestionamento em algumas vias e terá seu próprio sistema de bicicletas públicas! São algumas novidades que, assim como o BRT, vão ajudar a cidade a trilhar um caminho mais sustentável e ser cada vez menos dependente do carro.