Desinteresse dos jovens por carros preocupa montadora

Jovens lideram movimentos em defesa do transporte sustentável. (Foto: Fernando Weno)

Um recente artigo do The New York Times, da jornalista Amy Chozick, é mais uma prova de que os jovens mudaram. A geração entre 18 e 24 anos está se importando mais com os outros e com o mundo em que vivem, superando antigos valores e necessidades de consumo que já não os convencem e, muito menos, os satisfazem. Uma dessas mudanças importantes está no modo com que os jovens se relacionam com a mobilidade.

Há poucas décadas, o carro representava o ideal de liberdade para muitas gerações. Hoje, com ruas congestionadas, doenças respiratórias e falta de espaço para as pessoas nas cidades, os jovens se deram conta de que isso não tem nada a ver com ser livre, e passaram a valorizar meios de transporte mais limpos e acessíveis, como bicicleta, ônibus e trajetos a pé. Além do mais, “hoje Facebook, Twitter e mensagens de texto permitem que os adolescentes e jovens de 20 e poucos anos se conectem sem rodas. O preço alto da gasolina e as preocupações ambientais não ajudam em nada”, diz o artigo.

Para entender esse movimento, o texto conta que a GM, uma das principais montadoras de automóvel do mundo, pediu ajuda à MTV Scratch, braço de pesquisa e relacionamento com jovens da emissora norte-americana. A ideia é desenvolver estratégias adaptadas à realidade dos carros e focadas no público jovem para reconquistar prestígio com o pessoal de 20 e poucos anos – público que tem poder de compra calculado em 170 bilhões de dólares, segundo a empresa de pesquisa de mercado comScore.

Porém, a situação não parece ser reversível. “Em uma pesquisa realizada com 3 mil consumidores nascidos entre 1981 e 2000 – geração chamada de ‘millennials’ – a Scratch perguntou quais eram as suas 31 marcas preferidas. Nenhuma marca de carro ficou entre as top 10, ficando bem abaixo de empresas como Google e Nike”, diz o artigo. Além disso, 46% dos motoristas de 18 a 24 anos declararam que preferem acesso a Internet a ter um carro, segundo dados da agência Gartner, também citados no texto do NY Times.

O que parece é que os interesses e as preocupações mudaram e as agência de publicidade estão correndo para entendê-los e moldá-los, mais uma vez. Só que, agora, com o poder da informação na ponta dos dedos e o movimento da mudança nos próprios pés fica bem mais difícil acreditar que a nossa liberdade dependa de uma caixa metálica que desagrega e polui a nossa cidade.

Jovens brasileiros preferem transporte público de qualidade

Essa tendência de não-valorização do carro já foi apontada também pelos nossos jovens aqui no Brasil. A pesquisa O Sonho Brasileiro, produzida pela agência de pesquisa Box1824, questionou milhares de ‘millenials’ sobre sua relação com o país e o que esperavam para o futuro. As respostas, que podem ser acessadas na íntegra no site, mostram entusiasmo e vontade de transformação, especialmente, frente aos desafios sociais e urbanos como falta de educação e integração.

A problemática do transporte público se repete nos comentários dos internautas no site da pesquisa, que mantém o espaço virtual aberto para todos que quiserem deixar sua contribuição de desejo de mudança para o local em que vivem. A maioria das pessoas que opina enxerga o carro como um vilão que polui e tira espaço da cidade e acredita que a solução está em investimento em transporte público de qualidade. Esse é o desejo dos jovens brasileiros que também já mudaram e agora estão sonhando, mas de olhos bem abertos para cuidar do mundo em que vivem.

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  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100002119977670 Michel Seikan

    Meu sonho é fugir da “utopia do agora”, que acredita que o carro ainda é uma opção viável para a maioria da população. Afinal precisamos estar atento as propagandas enganosas do tipo: “brasileiro é apaixonado por carro”… é nada, até meu filho de 9 anos sabe que isso mais parece propaganda de posto de gasolina.

  • http://www.facebook.com/fabiosardinha Fabio Sardinha

    Se a indústria automotiva continuar a crescer da forma que vem acontecendo nos últimos anos, em pouco tempo não será possível andar nas ruas.

    As pessoas irão tirar o carro da garagem parar na avenida sair do carro e ir a pé, pois o engarrafamento será absurdo ao ponto de não conseguirem andar.

    A aposta é o transporte de massa e a bike, nada de motocicleta buzinando no ouvido de todo mundo, todos querem ir para o trabalho com tranquilidade, fazendo exercício, lendo um livro ou simplesmente ouvindo música.

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  • André Philippe M C Rocha

    Típica pesquisa aleatória da qual as pessoas tiram qualquer conclusão. Não ter marcas automotivas no top 10 quer dizer mesmo que gostem menos de carros? Acho q teria que ter havido uma pesquisa anterior para que a posição das marcas fosse avaliada relativamente, ao longo do tempo. Em termos absolutos é difícil mensurar desta forma, sendo que se consome muito mais roupas do que automóveis, por exemplo. Mesmo eu sendo “car nut”, não sairia disparando marcas automotivas se esta pesquisa me fosse apresentada. Ao meu ver, as conclusões apresentadas são tão lógicas quanto dizer que “se 30% dos acidentes de trânsito foram causados por motoristas que haviam ingerido bebida alcoólica, então beber outras coisas também provoca acidentes!”
    Não estou dizendo que a pesquisa tenha sido mal feita, digo que outras pessoas – que não a empresa responsável pela pesquisa nem a GM – estão tirando conclusões aleatórias.

    Depois, “46% dos motoristas de 18 a 24 anos declararam que preferem acesso a Internet a ter um carro”. Ok, e daí? Haviam muitas outras alternativas? Se não haviam, então ainda se prefere carros à internet. Ou isso demonstra um aumento percentual de intersse pela internet? No ano anterior era de 20%?

    Em terceiro lugar, colher amostras para o interesse em carros em um site como o Sonho Brasileiro, onde a frase inicial é “Meu sonho para onde moro é…” é algo bastante non-sense. O “sonho PARA ONDE MORO” não comporta a idéia de “meu carro”.
    Por quê não utilizam – olha que simples! – as estatísticas de vendas de carros? Vejam se o percentual de vendas para jovens adultos tem aumentado ou decaído. Até pq, mesmo quem disse no O Sonho Brasileiro que “meu sonho é que tenha parques verdes e lindos pra eu andar de bike e fazer piqueniques com meus amiguinhos vegans!” provavelmente comprou ou vai comprar um carro.

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