México: Metrobús fatura com venda de créditos de carbono

Sistema BRT da Cidade do México tem 48,1 km de corredores exclusivos para os ônibus. (Foto: Troncal Victor)

O sistema BRT Metrobús, da Cidade do México, é bastante conhecido pela extraordinária demanda que suporta, atendendo cerca de 600.000 passageiros por dia, o que significa 200.000 toneladas a menos de emissões de CO2 ao ano. Esses números têm atraído recur­sos internacionais com as vendas dos cré­ditos de carbono, por meio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, dispositivo criado pelo Protocolo de Kyoto.

De 2005 a 2010, a comercialização desses créditos já rendeu ao Metrobús mais de 845 mil euros, obtidos do Fundo Espanhol de Carbono através do Banco Mundial, segundo informações da Revista Autobus. Todo o valor recebido com a comercialização dos créditos é aplicado no desenvolvimento de projetos limpos dentro do sistema mexicano. A atual frota de ônibus já é composta por modelos articulados e biarticulados, com propulsores Euro 3, 4 e 5 – o que garante uma menor carga de emissões do trans­porte público da cidade.

Saiba mais sobre os créditos de carbono

Créditos de carbono ou Redução Certificada de Emissões (RCE) são certificados emitidos para uma pessoa ou empresa que reduziu a sua emissão de gases do efeito estufa (GEE). Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono. Este crédito pode ser negociado no mercado internacional. A redução da emissão de outros gases, igualmente geradores do efeito estufa, também pode ser convertida em créditos de carbono, utilizando-se o conceito de Carbono Equivalente.

Comprar créditos de carbono no mercado corresponde aproximadamente a comprar uma permissão para emitir GEE. O preço dessa permissão, negociado no mercado, deve ser necessariamente inferior ao da multa que o emissor deveria pagar ao poder público, por emitir GEE. Para o emissor, portanto, comprar créditos de carbono no mercado significa, na prática, obter um desconto sobre a multa devida.

Acordos internacionais como o Protocolo de Kyoto determinam uma cota máxima de GEE que os países desenvolvidos podem emitir. Os países, por sua vez, criam leis que restringem as emissões de GEE. Assim, aqueles países ou indústrias que não conseguem atingir as metas de reduções de emissões, tornam-se compradores de créditos de carbono. Por outro lado, aquelas indústrias que conseguiram diminuir suas emissões abaixo das cotas determinadas, podem vender, a preços de mercado, o excedente de “redução de emissão” ou “permissão de emissão” no mercado nacional ou internacional.

Os países desenvolvidos podem estimular a redução da emissão de gases causadores do efeito estufa (GEE) em países em desenvolvimento através do mercado de carbono, quando adquirem créditos de carbono provenientes destes últimos.

Fonte: Revista Autobus e Wikipédia