Bogotá planeja criar pedágio urbano no centro

Sistema colombiano será similar ao de Singapura. (Foto: Wikipédia)

Os congestionamentos das grandes cidades têm custos enormes para a economia, o meio ambiente e a saúde das pessoas. Geralmente, as zonas centrais são as áreas que mais sofrem com a alta carga de poluentes emitidos todos os dias pelos veículos que circulam de maneira intensa. Em Bogotá (Colômbia) o problema fez com que o prefeito eleito, Gustavo Petro, optasse por uma medida que vai mexer com o bolso dos motoristas: a criação de pedágios urbanos.

A ideia é cobrar uma taxa dos carros que circularem pelo conhecido ‘centro ampliado’ a fim de inibir o uso desmedido do automóvel nesta região. “Não é uma cobrança por ter um carro e, sim, por utilizá-lo”, justificou o prefeito, que está se espelhando em exemplos de cidades que estão colhendo bons frutos com a taxação, como Londres (Inglaterra), Singapura (Singapura) e Estocolmo (Suécia) – como comentamos aqui. O governante municipal tem o respaldo do Artigo 94 dentro da Lei do Plano Nacional de Desenvolvimento 1450, de 2011, na qual permite a criação de pedágios em municípios com mais de 300 mil habitantes.

A cidade conta com um dos sistemas de transporte público de Bus Rapid Transit mais conhecidos do mundo, o Transmilênio, e possui uma lei de rodízio de placas parecida com a de São Paulo, chamada de ‘pico y placa’. Mesmo assim, os deslocamentos diários ainda são um grande entrave na vida da cidade, como explica Darío Hidalgo, diretor de Pesquisa e Planejamento da EMBARQ e residente da capital colombiana:

“Bogotá implantou [o pico y placa] em 1998 nos horários de pico e foi estendido ao dia inteiro em 2008. O resultado da restrição não tem sido bom, porque muitas famílias compraram um segundo veículo e hoje o efeito está muito diluído. As medidas econômicas têm muito mais sentido, especialmente, se os recursos arrecadados são usados para melhorar o transporte público e o não-motorizado.”

A intenção da prefeitura é justamente esta: reverter todas as arrecadações dos pedágios em investimentos para o transporte público e meios não-poluentes, como a bicicleta – já que a cidade possui cerca de 300 km de ciclovias nos principais pontos de conexão entre bairros e o centro. Mesmo ainda sem aprovação oficial, notícias locais dão conta de que a tarifa será em torno de 2.500 pesos colombianos.

No vídeo abaixo, Petro explica detalhes da nova medida em entrevista ao El Espectador:

Como vai funcionar

As características do sistema devem ser bem parecidas com as de Singapura. A cobrança será realizada a partir de um dispositivo eletrônico chamado de “terceira placa”, segundo o vice-ministro de Transportes, Felipe Targa. Cada veículo terá um transmissor obrigatório conectado ao sistema. “Quando o veículo particular passar pelas zonas de congestionamento, será debitado automaticamente a cobrança do pedágio direto na conta de débito ou crédito do motorista”, explica Targa.

Ainda, dependendo do nível de congestionamento do trânsito nas horas de pico, as tarifas da taxação podem variar, exatamente como em Singapura.

Pesquisas pró-pedágio

A medida, que seria a primeira do gênero na América Latina, tem dividido opiniões em Bogotá por mexer diretamente com o bolso dos motoristas. Porém, o vice-ministro dos Transportes da Colômbia, Felipe Targa, garantiu que já estão bem avançados estudos técnicos que justificam a instalação de pedágios urbanos na capital do país.

Além disso, pesquisas internacionais comprovam que a medida de taxação de congestionamento está sendo bem aceita pela maioria da população em locais onde os pedágios já existem há algum tempo, como exemplifica Darío Hidalgo: “Acredito que seja uma excelente iniciativa dentro de uma política integral. Muitos tomadores de decisão pensam que as medidas de taxação ou gestão de demanda são, intrinsicamente, impopulares, mas os pedágios na Suécia e Dinamarca vêm tendo boa aceitação em pesquisas públicas. Vários estudos também indicam que os cidadãos estariam de acordo com as medidas, se bem explicadas”.

O pedágio urbano vem mostrando que não é apenas uma ferramenta comprovada para combater o congestionamento. A medida também está ajudando as cidades a economizar bilhões de dólares em perda de produtividade econômica, custos com saúde pública e, ainda, a melhorar a qualidade ambiental. E você, aprovaria o pedágio urbano na sua cidade?

Fontes: El Tiempo, La Republica, Portafolio

  • Eva Vider

    Sim, aprovaria caso fizesse parte de um programa eficaz de políticas públicas, onde o transporte público de qualidade e o transporte não motorizado permitam aos atuais usuários do automóvel condições de mobilidade digna, em seus deslocamentos nos centros congestionados.