Vida longa aos trólebus e um presente a São Paulo

Trólebus de São Paulo ganham visual mais moderno. (Foto: Estadão)

Por Kaiodê Biague*

Na semana do aniversário de São Paulo, a cidade recebe novos trólebus e disponibiliza passeio turístico gratuito pelo Centro Histórico. A atividade é realizada há mais de cinco anos, no mesmo período, e possui duração de 40 minutos. A viagem começa no Páteo do Colégio, local onde a cidade nasceu, e passa pelos principais pontos do centro, como o Edifício Itália, Teatro Municipal, Edifício Martinelli, Banespa, Faculdade de Direito e Catedral da Sé.

Em comemoração aos 458 anos de São Paulo, comemorados hoje, a prefeitura entregou 27 trólebus, na última segunda-feira, de um total de 140 novos ônibus deste tipo que deverão entrar em circulação até o fim do ano. Atualmente, são 190 trólebus e, com a última aquisição, sobe para 41 o número de novo veículos elétricos. A renovação faz parte do Programa Ecofrota, lançado em 2011.

O sistema de trólebus paulistano foi o primeiro implantado no país, em 1949, chegando a ter 474 ônibus elétricos em 2000, o que colocava a cidade com a 22ª maior frota mundial. Hoje eles correspondem a apenas 1,27% da frota municipal (cerca de 15 mil ônibus), distribuídos em 11 linhas e transportam 11 mil passageiros/dia. É o maior dentre os três sistemas ainda em operação, Corredor São Mateus/Jabaquara (ABC Paulista) com 10 veículos, e Santos (SP) com seis veículos. Já existiram 14 sistemas no Brasil, em diversas capitais e cidades do interior paulista.

O modal apresenta algumas desvantagens por ser mais rígido que os ônibus convencionais, já que depende do sistema de cabeamento elétrico suspenso, que também gera impacto visual, além das constantes quedas das alavancas (hoje os trólebus possuem sistemas mais confiáveis), os custos de aquisição dos veículos e manutenção da rede. Porém, assim mesmo, os trólebus são apontados por especialistas como uma opção a ser considerada, por ser o único veículo de transporte coletivo sobre pneus totalmente livre de emissões de poluentes em suas operações.

Novo modelo com piso baixo facilita o embarque. (Foto: EX-Libiris)

A seu favor temos um ônibus extremamente silencioso, confortável, com baixo custo de manutenção mecânica, possibilidades de configurações articuladas e de piso baixo, cuja vida útil pode variar entre 30 a 50 anos – o triplo do tempo dos ônibus movidos a diesel. Hoje a idade média da frota paulistana é de 22 anos. Segundo a SPTrans (responsável pela gestão do sistema municipal de transporte coletivo), em comparação com a mesma quantidade de veículos movidos a diesel, esses 190 trólebus são responsáveis pela não emissão de 3.078 Kg de CO, 228 Kg de HC, 3.534 Kg de NOx, 48 Kg de material particulado e 1.490.550 Kg de CO².

Desde fevereiro de 2011, a prefeitura de São Paulo tem investido em novas tecnologias veiculares a fim de diminuir a emissão de GEE, oriundos da frota do sistema de transporte público, por meio do Programa Ecofrota. De acordo com a prefeitura, neste primeiro ano de programa foram investidos R$ 47,6 milhões na ampliação da frota que utiliza combustíveis renováveis com redução de 13,9% nas emissões de poluentes. O objetivo é que até 2018 toda a frota do sistema municipal opere com energias renováveis.

Nesta perspectiva a prefeitura sinaliza positivamente ao incentivar o uso de diversas fontes de energias, e não somente o biodiesel, pois todos os ônibus que circulam com algum tipo de combustível menos poluente recebe um selo da Ecofrota, identificando o tipo de combustível, seja biodiesel, etanol, elétrico ou hídrido. Até o momento 12.037 novos ônibus renovam a frota paulistana, ou seja, 80%. Mas os desafios e complexidades impostos à consolidação de uma política de mobilidade urbana sustentável exige ações integradas e pensadas em conjunto com a sociedade civil, pois a quantidade e qualidade da oferta de ônibus, metrô, trem e ciclovias ainda estão aquém das reais necessidades da 6ª maior metrópole do mundo e a maior das três Américas.

*Kaiodê Biague – além de estudante de arquitetura pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, em Belo Horizonte, costuma fazer uns freela como designer gráfico, ama a cultura urbana e sonha com o dia em que as pessoas utilizarão os transporte públicos por opção e não pelo contrário.

Foto: EX-Libiris

Fonte: Blog Meu Transporte

  • instrutor junior

    Sou instrutor deste sistema a vários anos e vendo o que acontece  atualmente me deixa muito triste, trabalhei na antiga CMTC e posteriormente ELETROBUS onde a meu ver foi a melhor fase deste modal, neste período tanto empresa como funcionário tinham o mesmo objetivo.
    Atualmente um dos maiores problemas é sem duvida a rede aérea  e a desmotivação de seus funcionários  que devido a varias gestões não acreditam em melhora para o sistema.
    Se a gestora, ou seja SPTRANS não adotar um plano estratégico serio e planejado com pessoas que realmente conhecem e tem comprometimento com este sistema o mesmo a meu ver sempre passara por dificuldades e o maior lesado nesta historia é o meio ambiente e o usuário que depende da boa vontade dos responsáveis envolvidos na sua administração.