Transporte público é ruim para 41% das pessoas no Brasil

Paradas sempre lotadas: e ônibus que se atrasam: o sistema de transporte público, como de Campo Grande (MS), precisa de melhorias. (Foto: Thiago Martins)

Por Paulo Finatto Jr.

A hora é de mudar. Em um estudo comandado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), 3.781 pessoas, de 212 municípios, responderam o que pensam sobre o transporte público em suas cidades. O resultado, divulgado ontem (19), foi surpreendente. Para 41% dos usuários, o atual sistema  é ruim nos grandes centros urbanos, insatisfação registrada também no ano passado. A margem de erro da pesquisa é de cinco pontos percentuais.

De acordo com o Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre mobilidade urbana, “nos municípios menores, a avaliação (do transporte público) tende a ser mais positiva do que nos maiores”. No entanto, em cidades entre 20 mil e  100 mil habitantes – consideradas pequenas pelo Ipea – o número pouco altera: 32% dos entrevistados também avaliaram o transporte público como ruim ou muito ruim.

A pesquisa mostra que os congestionamentos causados pelo uso abusivo dos automóveis deixaram de ser um problema apenas de quem vive em metrópoles. Por isso que, quando questionada se “consegue ser atendida pelo transporte público sempre que precisa”, 61% das pessoas disseram que discordam. Em cidades menores, o mesmo quadro se repete com 45% dos entrevistados.

Os corredores exclusivos e o sistema Bus Rapid Transit (BRT), adotados por Curitiba (PR), podem ser um exemplo para as outras cidades do país. (Foto: Whl Travel)

Embora 75% dos entrevistados tenham dito que o ponto – ou o terminal – de transporte público está perto (ou muito perto) de suas residências, a justificativa mais citada para o descontentamento com o sistema coletivo foi que ele “não permite que as pessoas se desloquem com facilidade por toda a cidade”. Há assim o consenso de que o transporte coletivo, feito por meio de ônibus comum, precisa ser mais eficaz do que é atualmente. Uma das alternativas é adotar um sistema abrangente de corredores exclusivos – como o BRT – nos municípios em que a mobilidade é considera ruim.

É mesmo a hora de mudar.

Fonte: G1