A bicicleta ajuda a melhorar a vida das cidades

A bicicleta já faz parte do cotidiano de grandes cidades na Alemanha, como Stuttgart (Foto: Burgundy-Red)

Por Paulo Finatto Jr.

Não existe uma fórmula mágica. Mas a cidade que quiser fazer da bicicleta uma alternativa de transporte deverá estabelecer políticas de infraestrutura com a criação de uma rede de ciclovias integrada e segura, além de locais adequados para o estacionamento das bikes. É o que aponta a professora e engenheira alemã Susanne Böhler-Baedecker, pesquisadora no grupo de trabalho “Políticas energéticas, climáticas e de transporte” no Wuppertal Institut.

Responsável pela implantação de políticas de mobilidade urbana sustentável em seis cidades alemãs – entre elas Stuttgart e Nuremberg – a pesquisadora defende ainda a adoção de políticas que dificultem o uso do carro, como a limitação da circulação nos centros das cidades com a cobrança de pedágio e a retirada de vagas de estacionamento. A ideia é incentivar o uso de meios de transportes alternativos. “Outro ponto é a necessidade de campanhas publicitárias massivas de promoção e de incentivo ao uso da bike. Não há outro caminho. Em Munique, o prefeito foi o garoto propaganda que promoveu o uso da bicicleta”, explica.

A pesquisadora, que tem trabalhos científicos na área de planejamento de políticas de trânsito, esteve no Brasil a convite do Goethe Institut Curitiba, para participar de uma série de debates intitulada Im Brennpunkt (No Foco). No encontro, ela falou como as bikes ajudam a melhorar a vida das cidades. “A bicicleta é o modal perfeito para trajetos mais curtos: não polui, não causa ruídos e econômico tanto para o usuário – que não gasta com combustível e impostos – quanto para a cidade. Além disso, a bike também ajuda a descongestionar o trânsito”, afirma.

Susanne Böhler-Baedecker destacou ainda como uma cidade pode ajudar a reverter o culto ao automóvel e promover o uso da bicicleta e, consequentemente, de outras formas de transporte público e coletivo para trajetos mais longos. “O ponto central é tentar reduzir o número de pessoas que usam o carro e incentivar o uso de transporte público e meios alternativos. É preciso ter bem claro que o incentivo é para o bem do pedestre, para o bem das pessoas. A cidade deve ser pensada para o uso de todos os meios de forma integrada e segura”, finaliza.

Fonte: Gazeta do Povo