As 10 melhores cidades do mundo para pedalar

O ranking levou em conta infraestruturas, políticas públicas e a cultura da bicicleta nas cidades. (Foto: Ivy Folha)

Interessado em saber quais as melhores cidades do mundo para pedalar? A Copenhagenize, empresa dinamarquesa de consultoria especializada na utilização da bicicleta, publicou o ranking das cidades mais amigas da magrela. Baseado em 13 critérios, como infraestrutura – existência de ciclovias, sinalização e estacionamentos-, permissão para transportar as bicicletas no metrô e em ônibus, fiscalização, programas de compartilhamento de bicicletas e segurança dos ciclistas, o estudo selecionou as 10 melhores cidades para pedalar.

Veja aqui o ranking e porque essas foram as cidades vencedoras:

 

1. Amsterdã (Holanda)

Amsterdã é a única cidade onde não há uma atmosfera de medo nos ciclistas. (Foto: Ovejanegra)

Até aí nenhuma surpresa. Amsterdã tem fama de “amiga da bicicleta”. Mas o estudo da Copenhagenize mostra que tal fama não é à toa: a cidade responde bem a quase todos os critérios. As bicicletas são parte integrante da capital holandesa, representando metade dos deslocamentos diários da população. As ruas são adaptadas à circulação de bicicletas, com ciclovias, estações para alugar bicicletas e sinalização especial.Segundo a empresa, a atmosfera é relaxada, divertida e super natural. O único lugar no planeta onde não há medo associado ao ciclismo, todos se sentem a vontade e tranqüilos para pedalar por lá.

Mas nem tudo são flores na capital das tulipas. A infraestrutura não tem um design unificado, ou seja, você nunca sabe como será o próximo trecho da ciclovia. Outro problema, segundo eles, são as Scooters, que invadem as faixas de bicicleta e aterrorizam os ciclistas. “Amsterdã poderia ser mais criativa para melhorar ainda mais as condições de ciclismo. Desenvolver uma estratégia de marketing mais moderna e efetiva faria maravilhas na promoção do uso das bicicletas. Tentem pensar GRANDE!”, diz a Copenhagenize.

 

2. Copenhagen (Dinamarca)

Quase metade da população da capital dinamarquesa optou pela bicicleta como meio de transporte diário. (Foto: Patrick Nouhailler)

A segunda melhor cidade para pedalar está no ranking por sua cultura bem desenvolvida sobre a bicicleta e por sua ótima infraestrutura e facilidades para os ciclistas. A bicicleta é o principal meio de transporte para 40% da população da cidade: os cidadãos fazem quase todas suas atividades diárias com a bike, inclusive sair à noite. Para ajudar, todos os táxis da cidade permitem o transporte de bicicletas.

Embora tenha sido visionária durante anos, Copenhagen parece parada no tempo. Falta visão política e investimento para combater o marketing negativo e a queda no uso da bicicleta causados pela promoção do uso de capacete.

 

3. Barcelona (Espanha)

Barcelona luta para trazer a bicicleta de volta à paisagem urbana (Foto: Mike Wilson)

Barcelona se destaca pelo alto investimento em infraestrutura, que em menos de cinco anos modificou a rotina da cidade. Outra medida usada para estimular o uso do transporte sustentável foi a adoção de serviços de compartilhamento de bicicletas.

“Barcelona deixa outras cidades que começam a investir no transporte por bicicletas para trás com seus esforços excelentes, trazendo a bicicleta de volta para a paisagem urbana e fazendo um marketing positivo disso”, diz o estudo. A cidade implementou também zonas na periferia em que a velocidade máxima dos veículos é de 30 km/h, o que reduziu bastante os acidentes com pedestres e ciclistas.

O próximo passo para Barcelona é formar uma liderança política visionária, para continuar os investimentos em infraestrutura para que a bicicleta seja a maneira mais rápida para se locomover de um ponto ao outro, e para desenvolver uma campanha de marketing focada em atrair mais usuários para o transporte por bicicletas. “Não há razões para Barcelona não ser a próxima grande cidade para os ciclistas. A capital deveria aproveitar e se promover como um exemplo a ser seguido por centros urbanos do mundo todo”.

 

4. Tóquio (Japão)

Ver pessoas de todas as idades e estilos pedalando é uma cena comum na capital japonesa. As magrelas estão espalhadas por toda parte: ruas, calçadas e até no metrô. Essa cultura bem-desenvolvida, com respeito ao ciclista e a segurança nas ruas, é resultado de um rigoroso treinamento obrigatório para os motoristas. Os estacionamentos são uma inspiração à parte, espalhados por todos os lugares, incluindo o de uma estação de metrô, que tem espaço para mais de nove mil bicicletas.

Essa compreensão e respeito também teu seu lado ruim: falta uma rede de faixas exclusivas para bicicletas, para que os ciclistas também possam andar com mais velocidade. “Com outras cidades globais como Londres, Paris e Nova York levando a bicicleta mais a sério novamente, Tóquio deveria seguir seus passos para não ficar pra trás na corrida pela reorganização das megacidades”.

 

5. Berlim (Alemanha)

Berlim tem uma grande vantagem para os ciclistas: a cidade é toda plana. A infraestrutura exclusiva para bicicletas e políticas de incentivo estimulam os berlinenses de todas as idades a usar a bicicleta como meio de transporte. Ao todo, o modal representa 13% das viagens na cidade, mas em muitos bairros essa parcela chega até a 20-25%.

 

6. Munique (Alemanha)

Munique está determinada a melhorar as condições para pedalar na cidade e está investindo altas quantias em marketing para ciclismo urbano a fim de aumentar o status da bike com os cidadãos. Atualmente conta com 1,2 mil quilômetros de ciclovias, com boa infraestrutura e facilidades para os usuários. As políticas públicas e os planejamentos urbanos favorecem o tráfego das bicicletas, o que estimula a adesão de novos usuários. Pedestres, ciclistas e condutores de automóveis respeitam-se mutuamente, graças às leis severas e fiscalização rigorosa.

Segundo o estudo, depois de investir tanto dinheiro em marketing para promover a cultura da bicicleta, é hora de a cidade ser ainda mais ousada e trabalhar na criação de uma visionária rede unificada de infraestrutura para bicicletas, incluindo a recuperação do espaço viário ocupado pelos carros. “Se há uma cidade na Europa que pode rivalizar com Copenhagen e Amesterdã nos próximos 10 anos, é Munique”.

 

7. Paris (França)

Um programa público de aluguel de bicicletas capaz de movimentar os esforços pró-bicicleta em cidades como Nova York e Londres. Esse é o Vélib, o mais eficiente programa de bikesharing do mundo, implantado em 2007 em Paris. Mas a capital francesa não parou por aí: segue investindo pesado em infraestrutura e facilidades para os ciclistas.

Após quatro anos em funcionamento, o Vélib já registra mais de 100 milhões de viagens de bicicleta e cerca de 180 mil usuários fixos. Conta com 1,8 mil estações e mais de 20 mil bicicletas. Paris conseguiu tornar a bicicleta o meio mais rápido de locomoção na cidade e os cidadãos aproveitaram a oportunidade dando apoio ao projeto.

Agora Paris deve seguir para o próximo nível: políticas públicas e tomadores de decisão envolvidos com a causa, a fim de melhorar a infraestrutura. “É hora de tornar as ciclovias pintadas mais permanentes, com calçadas e implementar mais ciclovias na rua”.

 

8. Montreal (Canadá)

Pioneira na América do Norte, Montreal conta com ampla infraestrutura e bikesharing. (Foto: James D. Schwartz)

Montreal é a pioneira em incentivo à bicicleta na América do Norte, com investimentos em infraestrutura desde os anos 80. Em 2009 lança seu programa público de compartilhamento de bicicletas, o BIXI (junção das palavras bicicleta e táxi), que já conta com mais de cinco mil bicicletas distribuídas em 400 estações.

Embora pioneira e bastante envolvida, Montreal ainda tem muito o que fazer para ser top. As ruas destinadas à bicicleta muitas vezes são estreitas, o que não encoraja a adesão de mais usuários. Além disso, o estudo recomenda a implementação de ciclovias junto às avenidas de duplo sentido e a atualização dos modelos de bicicleta do BIXI.

 

9. Dublin (Irlanda)

Com um dos mais bem-sucedidos programas de compartilhamento de bicicletas da Europa, políticos visionários que implementaram ciclovias e zonas de 30km/h e cidadãos engajados, Dublin é um dos melhores lugares para pedalar. Pelo menos 10% da população usa a bicicleta como principal meio de transporte nos deslocamentos diários. Seu sistema de bikesharing, chamado de Dublinbikes, conta com 550 bicicletas em 44 estações servindo mais de 58 mil inscritos. O projeto prevê ainda uma expansão para 5.000 bicicletas e 300 estações.

A capital irlandesa já foi a terceira melhor cidade para os ciclistas na Europa, logo atrás de Copenhagen e Amsterdã. Mas, como outras cidades, sofreu com a centralização do foco no automóvel. Agora, Dublin está invertendo a lógica e recuperando o prejuízo. Muito ainda precisa ser feito para que a cidade possa voltar ao seu antigo posto, mas com certeza está no caminho certo.

 

10. Budapeste (Hungria)

A força de Budapeste está no trabalho de promoção da bicicleta: em poucos anos, a cidade já atinge a marca de 5% da população usando a bike como meio de transporte diário. A infraestrutura, embora ainda não esteja muito desenvolvida, já conta com um ponto a favor: as ciclovias são instaladas entre a calçada e os estacionamentos, algo que várias cidades fazem errado. A cultura dos cidadãos e programas de incentivo ao uso também são pontos positivos para a cidade.

Budapeste é o único lugar do mundo que conseguiu mobilizar mais de 50 mil pessoas para um pacífico protesto ciclístico. Seu desafio agora é transformar esses manifestantes em usuários diários. Intensificar o engajamento político, melhorar a infraestrutura e as condições para o uso da bicicleta no dia a dia e abusar do marketing para atrair os usuários. “Mais infraestrutura, mais políticos a bordo e Budapeste será uma lenda”.

 

  • O ranking da Copenhagenize inclui ainda outras dez cidades:

Portland (Estados Unidos)
Guadalajara (México)
Hamburgo (Alemanha)
Estocolmo (Suécia)
Helsinque (Finlândia)
Londres (Inglaterra)
San Francisco (Estados Unidos)
Rio de Janeiro (Brasil)
Viena (Áustria)
Nova York (Estados Unidos)

 

Fonte: Menos Um Carro

  • http://twitter.com/liberosocial Libero Social

    Na conferência da Ethos neste ano, a organização recomendou que os participantes fossem ao encontro de bicicleta, mas chegando lá quem disse que tinha um local específico para estacionar a magrela. A linha entre a fala e a prática ainda é grande.
     
    Parabéns pelo artigo!

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