O trânsito de Porto Alegre precisa de alternativas

Congestionamento não é mais exclusividade dos horários de pico (Foto: Herbert Kajiura)

 

por Paulo Finatto

Com o constante crescimento da sua frota de automóveis, Porto Alegre não tem mais uma hora de pico, e sim inúmeros momentos do dia em que o fluxo de veículos para. Pode ser às 9h30 na Avenida Ceará ou às 15h na Avenida Ipiranga com a Rua Silva Só. É um oceano de carros conduzidos por pessoas que fazem questão de almoçar em casa e depois retornam para o centro. Ou apenas gente que vem dos bairros para fazer compras nos shoppings mais afastados.

No passado, a capital gaúcha tinha horários certos para empacar: no início da manhã e no fim da tarde – muito em razão da rotina de trabalho. Agora, é possível garantir que, em qualquer hora do dia, algum ponto da cidade está engarrafado. A Rua Andrade Neves e muitas outras do centro, por exemplo, estão quase sempre lotadas de carros, por uma peculiaridade da região: vias estreitas e cheias de pedestres, o que dificulta a passagem de veículos.

Entretanto, quando se fala congestionamento não é apenas por força de expressão: são quilômetros de para e arranca até mesmo onde os carros deveriam se deslocar com maior rapidez. É o caso das avenidas Bento Gonçalves e Salvador França, ao amanhecer, entupidas de veículos oriundos da Região Metropolitana que se dirigem às principais vias da capital. Por mais que as explicações para esse caso sejam variadas e complexas, existem alternativas para reverter o quadro.

Vanderlei Cappellari, diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), afirma que a maior causa dos congestionamentos é a própria saúde econômica do Brasil, que viabiliza o crescimento incessante no número de automóveis. Porto Alegre conta com uma frota de mais de 710 mil veículos, média de um carro para cada dois habitantes. “É no mínimo um carro por família. Some-se a isso outros 700 mil veículos que vêm da Região Metropolitana todos os dias e está pronta a receita do caos”, defende Cappellari.

Por mais que a EPTC trabalhe para que os engarrafamentos sejam minimizados, a frota de Porto Alegre aumenta 8% ao ano. São cem novos veículos emplacados por dia. Capellari acredita que a conscientização para que se use menos o carro e adote outros meios de transporte é a saída para quem não aguenta mais a tranqueira ininterrupta em Porto Alegre. Os exemplos de cidades como Medellín, na Colômbia, e da Cidade no México, que revolucionaram o seu sistema de transporte a partir do BRT e de outras iniciativas, provam que alguma coisa ainda pode ser feita.

  • Helton Moraes

    Eu ando de bicicleta. Devo confessar que, considerando a “cavalice” de vários motoristas quando o trânsito está fluindo, por incrível que pareça tenho visto com alívio a quantidade de congestionamentos que pego quando vou de casa para o trabalho e vice-versa, pois com o trânsito lento ou parado o perigo para quem pedala diminui, apesar do calor, do barulho e da fumaça. Acho que quando todos os carros forem elétricos, e seguindo a tendência ininterrupta de crescimento de veículos), a cidade vai ficar perfeita para pedalar: totalmente coberta de “gridlocks”, porém silenciosa e com ar fresco.

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  • Bolivarcambara

    A frota aumenta, a eptc trabalha, mas não vejo nenhuma criatividade ou efetividade. Vejo é inúmeros semáforos sem sincronia (sendo que a EPTC ACHA QUE TEMOS POUCOS DELES), acidentes, controle… chegaram a colocar um controlador fixo de velocidade na Voluntários, com o argumento de que ali houvera um atropelamento – causado por um ônibus, donde não justifica o aparelho. Não há criação nem incentivo à adoção de rotas alternativas (o último foi quando da reforma do túnel da conceição).