Estações BRT abastecidas por energia solar

 

Biague uniu a tecnologia das placas solares à infraestrutura das estações BRT.

O Prêmio Jovem Cientista, que teve como tema as “cidades sustentáveis”, anunciou na última terça-feira (08/11) os vencedores desta edição (veja lista completa) que desenvolveram projetos muito inspiradores. Como comentamos aqui, o concurso, produzindo pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), é uma das principais premiações de incentivo à pesquisa no país e o primeiro passo para a construção de grande projetos que podem transformar o mundo.

Um dos projetos vencedores que ganhou grande destaque foi o do estudante de arquitetura, Kaiodê Biague, de Belo Horizonte (MG) na categoria Ensino Superior. O aluno do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix desenvolveu um projeto de aproveitamento de energia solar para abastecer as estações de BRT-Bus Rapid Transit.

Com apelido de “miniusina solar”, a pesquisa propõe a instalação de painéis fotovoltaicos nos telhados das estações, que armazenariam a energia do sol e a converteriam para ser utilizada na iluminação e outras estruturas da estação dos ônibus rápidos. Para desenvolver a ideia, Biague se inspirou nos corredores BRT que estão sendo implementados na capital mineira, além de outros exemplos ao redor do mundo.

Abaixo, confira a entrevista inspiradora que o jovem vencedor concedeu ao TheCityFix Brasil:

– Como é conquistar um prêmio dessa relevância para alguém que está começando a trilhar a carreira profissional?

Para mim é muito gratificante poder iniciar a vida acadêmica com um prêmio dessa importância, ele me sinaliza o compromisso que devo manter, enquanto futuro arquiteto, em pensar uma arquitetura comprometida com as cidades e as pessoas. É uma responsabilidade muito grande.

– Seu projeto envolve o aproveitamento da energia solar nas estações de BRT. Acredita que o futuro do transporte será sustentável?

Sim, as mudanças climáticas nos impõem uma nova maneira de pensar as cidades, atualmente as edificações e os transportes respondem por 44% e 26% da energia consumida no mundo, respectivamente. Por isso, pensar em soluções que aliem mobilidade, arquitetura e energia limpa é fundamental. As possibilidades são inúmeras, Londres, por exemplo, já está testando ônibus movido a hidrogênio e implantado taxis elétricos. Acredito ser possível atender às demandas atuais das cidades sem comprometer as gerações futuras.

– Você trabalhou a partir dos corredores BRT que estão sendo feitos em Belo Horizonte. Qual a importância da implementação de sistemas como este para a cidade?

A questão da mobilidade é um desafio na maioria das grandes e médias cidades, em Belo Horizonte a coisa não é diferente. Número muito elevado de veículos particulares, transporte público ineficiente, falta de integração metropolitana, entre outros, por isso a implantação de um sistema de transporte rápido e de qualidade é tão importante. A cidade aguarda há décadas pela conclusão do metrô. Não há mais como esperar, então o BRT chega com esperança e  espero que o novo sistema possa realmente atender a necessidade da cidade em solucionar um de seus maiores desafios que é o trânsito.

– Já recebeu propostas para colocar seu projeto em prática? Essa é sua intenção?

Ainda não, pois se trata de um sistema conceitual que ainda é muito recente. O desafio agora é passar o projeto para uma fase mais experimental, conhecer os pontos falhos para então passarmos para o desenvolvimento mesmo. Por ser uma proposta altamente viável tecnologicamente, acredito que poderemos sim ver esse sistema sendo implantado nos diversos corredores BRT. Já existem experiências semelhantes na Europa e Estados Unidos com pontos de ônibus alimentados por energia solar, cujas estruturas e índices de insolação são bem menores.

Nesta primeira fase do projeto, percebi que as dimensões das estruturas dos corredores BRTs (estações, terminais, garagens) possibilitam uma produção energética capaz de suprir a demanda desses equipamentos, porém ainda é necessário conhecer qual seria a real eficiência dessas miniusinas. Como estou cursando arquitetura e urbanismo, muitas questões ligadas à engenharia elétrica buscarei responder através da interação com grupos de pesquisas ligados à energia solar.

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Veja a reportagem da Globo sobre o projeto aqui.