Taxação de congestionamento como forma de reduzir o tráfego

Taxação de Congestionamento de Londres. (Foto: Abhishek Mukherjee)

O congestionamento não é um monstro fácil de resolver. A construção de mais estradas e até mesmo aumentar a capacidade do transporte público é pouco para melhorar o congestionamento, de acordo com novas pesquisas realizadas em cidades dos EUA, publicadas por economistas da Universidade de Toronto. Os autores expandem o clássico “Lei da hora-pico de congestionamento de tráfego” de Anthony Downs, que afirma que “nas vias urbanas expressas, o congestionamento atinge a capacidade máxima da via durante a hora-pico”. Os pesquisadores da Universidade de Toronto acreditam que a Lei possa ser aplicada a todas as principais vias urbanas.

Apesar desta pesquisa, as cidades continuam tentando aliviar o congestionamento e acomodar o uso de mais carros de maneira equivocada, contruindo cada vez mais estradas exclusivas para carros. Mas, como disse o ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, “tentar resolver os problemas de tráfego através da construção de mais estradas é como apagar um incêndio com gasolina”. A questão principal é a demanda intensa por espaço nas vias. Assim, quando um novo espaço é aberto, seja através da construção de novas vias ou do incentivo aos motoristas para mudarem para o transporte público, o espaço viário desocupado é rapidamente ocupado por mais carros e motoristas.

Os pesquisadores concluem que a única forma eficaz de combater o congestionamento é através da taxação do congestionamento. Apesar do sucesso de cidades como Londres e Estocolmo, bem como outros estudos de caso bem-sucedidos em Cingapura e Milão, a ideia foi rejeitada nos Estados Unidos e em outros lugares. A negação à proposta mais famosa é da cidade de Nova Iorque, que tentou implementar um esquema de taxação do congestionamento só para vê-lo rejeitado pela Assembléia Legislativa do Estado de Nova Iorque.

A proposta para os políticos tem que ser feita em termos claros. Os congestionamentos tem custos enormes: econômicos, de saúde e ambientais. Esses custos são muitas vezes subestimados ou incompreendidos pelos políticos e pela população. A taxação do congestionamento não é apenas a única ferramenta comprovada para combatê-lo, mas também pode salvar as cidades de bilhões de dólares em perda de produtividade econômica, custos com saúde pública e melhorar sua competitividade e sua qualidade ambiental.

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 Este post foi baseado em um artigo de Eric Jaffe, colaborador do blog Cities: Place Matters produzido pelo Atlantic Monthly.  O blog, que tem apenas um mês de idade, tornou-se rapidamente uma leitura obrigatória para as pessoas que se preocupam com as cidades. O portal, escrito em inglês e focado principalmente em cidades norte-americanas, também inclui posts excelentes sobre cidades ao redor do mundo, como este sobre o espaço público em favelas e este sobre a habitação social no México. Confira!