Opinião: Medellín é exemplo de mobilidade

Teleféricos de Medellín, Colômbia, conectam pontos baixos e altos da cidade com mais rapidez e conforto (Foto: Ben Bowes)

Por Ricardo Montezuma*

De modo discreto e exitoso, o Vale de Aburrá está construindo uma das mais inovadoras gestões de mobilidade na América Latina. Nenhuma cidade da região, e muito menos uma área metropolitana, tem um sistema multimodal como o de Medellín, Colômbia.

Com os esforços conjuntos da prefeitura, a região metropolitana e o metrô são pautas abordadas em várias frentes nos últimos anos e vão além da reconhecida integração modal de cabos e seus projetos de desenvolvimento urbano integral.

Foi implementada uma plataforma tecnológica de web 2.0 para informação e gestão da mobilidade. Foram planejados corredores de transporte sustentável com bondes, teleféricos, bicicletas públicas e estações multimodais.

O primeiro, que será contratado este ano, servirá à extensão oriental do metrô e será alimentado por dois ‘metrocables’ [teleféricos] que servirão setores populares da cidade. O segundo corredor vai formar no ocidente um anel entre dois grandes setores. Também estão sendo integradas mais de cem linhas de ônibus privados até o metrô, e as obras do Metroplús irão terminar tendo ônibus movidos a gás que provavelmente, serão complementados com veículos elétricos.

Um plano Metropolitano para 2030 foi concluído, o qual articula todas as iniciativas locais, nacionais e regionais para o vale. Além disso, dois megaprojetos urbanos estão sendo estruturados com novas centralidades no centro e no sul, bem como um novo sistema de transporte ferroviário multiuso, com grandes centrais de interação modal.

É claro, nem tudo está resolvido. Falta uma entidade gestora única da mobilidade regional, o financiamento para melhorar a qualidade e integrar totalmente o transporte público, reduzir os acidentes, melhorar o espaço público e, acima de tudo, conseguir atingir o uso responsável dos, cada vez mais numerosos, carros e motos.

Bogotá e muitas outras cidades latino-americanas poderão se inspirar e aprender com Medellín.

 

Este artigo foi originalmente publicado em espanhol no El Tiempo, em 23 de setembro de 2011.

*Diretor da Fundación Ciudad Humana