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Paradoxo de Braess e as Cidades Brasileiras

Largo Glênio Peres fica ao lado do Mercado Público de Porto Alegre, no Centro Histórico da cidade. (Foto: Vinicius Passos)

O Largo Glênio Peres, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, é um tradicional espaço de manifestações políticas e artísticas das mais variadas espécies. Seu desenho é uma referência ao formato de um tapete persa, em escala de cinza e cor-de-rosa. Uma descrição interessante do local pode ser encontrada no PPS. Trata-se, tradicionalmente, de uma zona de uso exclusivo de pedestres.

Em um diálogo online com o secretário municipal da Produção, Indústria e Comércio da cidade de Porto Alegre, Valter Nagelstein, questionei a recente transformação do Largo Glênio Peres – antes um valioso espaço público – em um estacionamento. Durante os sábados, a Prefeitura de Porto Alegre permite que o Largo seja ocupado por veículos automotores individuais, como mostra este vídeo.

O secretário respondeu-me, então, que o objetivo da permissão é atrair um público mais “qualificado” ao Mercado Municipal, situado ao lado do Largo. Tal afirmação, repleta de preconceito, não merece grande debate. O secretário complementou sua linha de raciocínio declarando que um estacionamento subterrâneo logo seria construído.

Pois foi essa afirmativa – acerca do estacionamento subterrâneo – a que mais me causou espanto. Respondi, então, dizendo que uma garagem no Centro Histórico da cidade atrairia ainda mais veículos automotores àquela região, já degradada pelo grande número de carros.

A resposta do governante foi enfática: “pára de falar bobagens. Basta pensar. Estacionamento não é pra atrair mais carros, é para atender ao que já existe!”

Não cabe aqui julgar as intenções do Sr. Nagelstein nem de qualquer outro agente político. Ao contrário, o que importa aqui é chamar a atenção para uma lição que é, frequentemente, esquecida pelos formuladores de política pública no Brasil: o Paradoxo de Braess.

Formulado pelo matemático Dietrich Braess, o postulado matemático explica que, em um sistema onde os agentes não são completamente altruístas (como o trânsito), o aumento da capacidade desse sistema pode significar em uma perda de desempenho global.

Estudos recentes demonstram que o Paradoxo ocorre com grande frequência em grandes centros urbanos, como Porto Alegre, onde o número de pontos da rede de trânsito é enorme. Algumas observações têm demonstrado que, quando há uma redução na capacidade dessas redes, como o fechamento de estradas ou a redução do número de vagas de estacionamento, o volume de tráfego tende a diminuir.

Ao instalar garagens nos Centros Históricos de grandes centros urbanos brasileiros, os governos locais correm o risco de piorar a situação, no que diz respeito a congestionamentos e entupimento de vias. Uma lição que, por enquanto, poucos aprenderam.

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