O grande protesto das bicicletas de 1896 – por Hank Chapot

Market Street, San Francisco (1890)

No dia 25 de julho um movimento popular entre os ciclistas comemora 115 anos de história. Tudo começou na década de 1890, quando ciclistas da cidade norte-americana de São Francisco organizaram manifestações a favor da pavimentação das ruas para que fosse possível trafegar por elas de bicicleta. Isto ocorreu antes do “boom” do automóvel privado, e acabou colaborando para a ascenção do mesmo poucos anos depois.

No final do século IX, a bicicleta era considerada um símbolo de progresso. Era uma época em que pessoas lutavam pela remoção das ferrovias abandonadas, pelo calçamento do espaço entre os trilhos assim como a tranferência dos fios elétricos para o subsolo quando as ruas fossem reformadas, tudo isso para tornar as ruas um espaço melhor para os ciclistas. Com boas estradas, os trabalhadores urbanos poderiam pedalar para os seus locais de negócios, o que ajudaria a reduzir a tirana renda da ferrovia.

Na noite do sábado, 25 de julho de 1896, após meses de organização por ciclistas e defensores das boas estradas, os moradores tomaram as ruas no centro de São Francisco, inspirado pelas novas possibilidades trazidas pela máquina maravilhosa do país novo, a bicicleta.

A marcha tinha três objetivos: mostrar a força dos ciclistas, comemorar a pavimentação da Folsom Street e protestar contra as condições do pavimento das ruas de São Francisco em geral, mas principalmente da Market Street. Assim, os lampiões das mansões e prédios comerciais quebraram a escuridão das ruas e as bicilcetas adornadas tomaram as ruas da cidade assitidas por 100.000 pessoas.

Ciclista vitoriano - 1980 (Foto: Canong2fan)

Apesar de acontecimentos negativos como atos de vandalismo contra o bonde da cidade e fogueiras em locais públicos como a City Hall Square, o desfile terminou em resoluções aprovadas por unanimidade em favor de boas estradas.

Mas a vitória veio acompanhada de um novo usuário para as estradas. As melhorias nas ruas da cidade ocorreram mais ou menos no mesmo tempo em que a bicicleta perdeu o fascínio do público para o automóvel e o petróleo. Este novo modo de transporte privado tem desempenhado um papel de transferência do custo de transporte para o indivíduo, intensificando as necessidades financeiras, resumido no dilema de “dirigir para o trabalho para ganhar dinheiro para pagar o meu carro para dirigir para o trabalho”.

De qualquer maneira, as coloridas manifestações populares que encheram as ruas escuras de São Francisco na década de 1890 encontraram um eco contemporâneo no passeio mensal Massa Crítica que começou em San Francisco em 1992 e se espalhou pelo mundo. Aparecendo entre o cavalo e o automóvel, a bicicleta ajudou na definição da era vitoriana e na libertação de trabalhadores, especialmente mulheres e crianças, uma vez que mudou os conceitos de liberdade pessoal.

Se aproximando do seu nono aniversário, a Massa Crítica fornece um espaço permanente para os ciclistas para fazer valer o seu direito às ruas, mostrar seu número, e celebrar a bicicleta em linhagem direta do “Wheelmen” e da “Wheelwomen” de 1896.

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    Paula, fantástico o teu artigo. Uma pequena correção: ali no segundo parágrafo, acho que tu quiseste dizer século XIX.