Extensão polêmica na rodovia de Glasgow

Este post foi originalmente publicado por Itir Sonuparlak, no TheCityFix.com, em 28 de junho de 2011.

Será que a extensão da rodovia de Glasgow provará mesmo que é um estímulo econômico? (Foto: Stephen Thomas)

Glasgow, Escócia, lançou hoje uma nova extensão de rodovia – projeto que foi recebido com muita polêmica. A extensão de cinco milhas (9,2 km), chamada de M74, está em obras desde outubro de 1995, sendo que a oposição de grupos ambientalistas começou cedo, ainda durante o desenvolvimento do projeto. Com um custo final de US$ 940 milhões, a pequena extensão irá completar um anel de auto-estradas em torno do centro da cidade.

As estradas ao redor da cidade foram propostos pelo engenheiro Robert Bruce para aliviar o congestionamento, mas os lados leste e sul nunca foram concluídos. Com a nova extensão agora aberta ao público, o Glasgow City Council está bem otimista com os resultados do projeto. O site oficial do projeto congratula a nova extensão pela remoção de volumes consideráveis ​​de tráfego que congestiona a rodovia M8. “Sua conclusão é vital para o futuro crescimento e sucesso da economia de Glasgow e todo o país,” disse o Conselho à revista Building Design.

O governo espera que a nova estrada aumente a competitividade nacional, fornecendo acesso aos aeroportos de Glasgow e peça-chave para as facilidades comerciais e industriais. O governo também tem  objetivo de desenvolver espaços em áreas com alto desemprego com os novos pontos de acesso à estrada, além de aliviar o congestionamento do tráfego e reduzir os acidentes de trânsito.

Nem todo mundo está entusiasmado com a extensão que corta o lado sul da cidade. A Friends of the Earth, uma organização ambiental, chamou a extensão da estrada de “provavelmente a pior decisão ambiental já tomada pelo executivo escocês.” A construção do projeto foi temporariamente interrompida em março de 2009 devido ao receio de causar rachaduras nos túneis do metrô. Além de tais perigos, os grupos ambientalistas geralmente se opuseram ao projeto, em parte, com base na poluição atmosférica e congestionamento.

“A construção de mais e maiores estradas na tentativa de combater o congestionamento do tráfego simplesmente não funciona”, diz Stan Blackley do Ecologist. “Isso vem sendo mostrado de tempos em tempos, mas mesmo assim o Governo escocês e o Parlamento parecem obcecados com a construção de mais e mais estradas.”

O pior de tudo é o impacto desproporcional que a nova estrada causará sobre aqueles que menos dependem dela. “É uma ironia cruel que o maior impacto estético e acústico da auto-estrada será sobre os bairros de Glasgow que menos usam o carro: no censo de 2001, quase 60% das famílias em Govanhill não tinham acesso a um carro”, segundo a Building Design.

Jude Barber, ex-membro da Glasgow Letter on Architecture e atual diretor da Collective Architecture, reflete que “[a extensão da estrada] vai em direção contrária a toda política feita recentemente sobre o uso de transportes públicos, caminhadas, ciclismo e trens.” Ela acrescenta:”É como as decisões de planejamento de 1970 sendo implementadas em 2011.”

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